terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Demônio

Segundo a igreja, os demônios não passam de agentes provocadores e de antemão destinados a recrutar almas para o inferno, isto com a permissão de Deus, que antevia, ao criar estas almas, a sorte que as aguardava. Que se diria na terra de um juiz que recorresse a tal expediente para abarrotar prisões? Estranha idéia que nos dão da divindade de um Deus cujos atributos essenciais são justiça e bondade soberanas. Segundo o espiritismo, os demônios são espíritos imperfeitos, suscetíveis de regeneração e que, colocados na base da escala, hão de graduar-se. Os que por apatia, negligência, obstinação ou má vontade persistem em ficar, por mais tempo, nas classes inferiores, sofrem as conseqüências dessa atitude, e o hábito do mal dificulta-lhes a regeneração. Chega-lhes, porém, um dia a fadiga dessa vida penosa e das suas respectivas conseqüências, eles comparam a sua situação à dos bons espíritos e compreendem que o seu interesse está no bem, procurando então melhorarem-se, mas por ato de espontânea vontade, sem que haja nisso o mínimo constrangimento.
Sendo em tudo infinito, Deus deve abranger o passado e o futuro; deve saber, ao criar uma alma, se ela virá a falir, assaz gravemente, para ser eternamente condenada. Se o não souber, a sua sabedoria deixará de ser infinita, e Ele deixará de ser Deus. Sabendo-o, cria voluntariamente uma alma desde logo votada ao eterno suplício, e, nesse caso, deixa de ser bom. ("O céu e o Inferno", Allan Kardec) 

Um comentário:

  1. Na passagem bíblica sobre a tentação de Jesus há um versículo muito interessante que, às vezes, não entendemos corretamente.
    Jesus disse a Satanás: "Não tentarás ao Senhor, Teu Deus".
    Jesus adoesta ao "Satanás" para que não tentasse o Deus, dele e de todos nós. Ele via naquele Espírito um ser desviado do bem, mas que tinha um Deus. Dedicado ao mal mas que poderia retornar ao bem e ao caminho do progresso da alma.

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