quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Independe de religião

"Sempre sob minha observação, Anacleto assumiu nova atitude,
dando-me a entender que ia favorecer suas expansões irradiantes e, em seguida, começou a atuar por imposição. Colocou a mão direita sobre o epigástrio da paciente, na zona inferior do esterno e, com surpresa, notei que a destra, assim disposta, emitia sublimes jatos de luz que se dirigiam ao coração da senhora enferma, observando-se nitidamente que os raios de luminosa vitalidade eram impulsionados pela força inteligente e consciente do emissor.
Assediada pelos princípios magnéticos, postos em ação, a
reduzida porção de matéria negra, que envolvia a válvula mitral,
deslocou-se vagarosamente e, como se fora atraída pela vigorosa
vontade de Anacleto, veio aos tecidos da superfície, espraiando-se
sob a mão irradiante, ao longo da epiderme. Foi então que o magnetizador
espiritual iniciou o serviço mais ativo do passe, alijando
a maligna influência. Fez o contacto duplo sobre o epigástrio,
erguendo ambas as mãos e descendo-as, logo após, morosamente,
através dos quadris até aos joelhos, repetindo o contacto na região
mencionada e prosseguindo nas mesmas operações por diversas
vezes. Em poucos instantes, o organismo da enferma voltou à
normalidade.
Eu estava admirado. E como o assunto envolvia problemas
espirituais de elevada significação, assim que o instrutor terminou
o trabalho, indaguei:
– Perdoe-me a pergunta, mas, na hipótese de não se socorrer
esta irmã, da colaboração de uma casa espiritista, como se haveria
com a doença oculta? Estaria ao abandono?
– De modo algum – respondeu Anacleto, sorrindo. – Há verdadeiras
legiões de trabalhadores de nossa especialidade amparando
as criaturas que, através de elevadas aspirações, procuram o
caminho certo nas instituições religiosas de todos os matizes. A
manifestação de fé não se limita a simples afirmação mecânica de
confiança. O homem que vive mentalmente, visceralmente, a
religião que lhe ensina a senda do bem, está em atividade intensa
e renovadora, recebendo, por isto mesmo, as mais fortes contribuições
de amparo espiritual, porquanto abre a porta viva da alma
para o socorro de Mais Alto, através da oração e da posição ativa
de confiança no Poder Divino.
O novo companheiro indicou a irmã que se libertara da desastrosa
influenciação e esclareceu, depois de uma pausa:
– Nossa amiga está procurando a verdade, cheia de sincera
confiança em Jesus. Ovelha fustigada pela tempestade do mundo
e inexperiente na esfera do conhecimento, volta-se para o Divino
Pastor, como a criança frágil, sequiosa do carinho materno. Estivesse
orando numa igreja católica romana ou num templo budista,
receberia o socorro de nossa Esfera, por intermédio desse ou
daquele grupo de trabalhadores do Cristo. Naturalmente aqui, no
seio de uma organização indene das sombras do preconceito e do
dogmatismo, nosso concurso fraternal pode ser mais eficiente,
mais puro, e as suas possibilidades de aproveitamento são muito
mais vastas. É preciso assinalar, porém, que os auxiliadores magnéticos
transitam em toda parte, onde existam solicitações da fé
sincera, distribuindo o socorro do Divino Mestre, dentro da melhor
divisão de serviço. Onde vibre o sentimento sincero e elevado,
aí se abre um caminho para a Proteção de Deus.
A elucidação fez-me grande bem pela revelação de imparcialidade
na distribuição dos bens de nosso plano. Entretanto, outra
pergunta ocorreu-me, de imediato.
– Todavia, meu amigo – considerei –, admitamos que esta
nossa irmã fosse estranha a qualquer atividade de ordem espiritual.
Imaginemo-la sem fé, sem filiação a qualquer escola religiosa
e sem qualquer atestado de merecimento na prática da virtude.
Ainda assim, receberia o benefício dos passes libertadores?
Anacleto, com aquela bondade paciente que eu conhecia em
Alexandre, observou:
– Se fosse uma criatura de sentimentos retos, embora infensa
à religião, em suas meditações naturais receberia auxílio, não
obstante menor, pela sua incapacidade de recepção mais intensa
das nossas energias radiantes; mas se ficasse integralmente mergulhada
nas sombras da ignorância ou da maldade, permaneceria
distante da colaboração de ordem superior e as suas forças físicas
sofreriam desgastes violentos e inevitáveis, pela continuidade da
intoxicação mental. Quem se fecha às idéias regeneradoras, fugindo
às leis da cooperação, experimentará as conseqüências
legítimas."

(trecho do livro "Missionários da Luz", André Luiz, psicografia de Chico Xavier, Cap. 19, "Passes")

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