quarta-feira, 8 de julho de 2009

Os falsos profetas

A grande credibilidade e seriedade da Doutrina Espírita tem motivado pessoas não-adeptas ou que pouco sabem sobre espiritismo a usarem essa denominação para promoção de seus trabalhos. Criam fantasiosas previsões que não se concretizam, abrem entidades espiritualistas e chamam de espírita, lançam livros de caráter duvidoso. É preciso saber separar o joio do trigo, para que não sejamos vítimas de enganadores.
Allan Kardec, questionando os Espíritos Superiores, pergunta se o futuro pode ser revelado ao homem. Os Benfeitores prontamente informam que, em princípio, o futuro nos é oculto e só em casos raros e excepcionais permite Deus que seja revelado. E explicam: se o homem conhecesse o futuro, descuidaria do presente e não agiria com a liberdade com que o faz, porque o dominaria a ideia de que, se uma coisa tem que acontecer, inútil será ocupar-se com ela, ou então procuraria impedir que acontecesse. Portanto, os Espíritos são enfáticos ao afirmarem que se deve desconfiar de todas as previsões que não tiverem um fim de utilidade geral e que as previsões individuais podem quase sempre ser desconsideradas.
É comum se atribuir aos profetas o dom de adivinhar o futuro, de forma que as palavras profecia e predição se tornaram sinônimas. No sentido evangélico, profeta tem um significado mais extenso: é todo enviado de Deus com a missão de instruir os homens, lhes revelar coisas ocultas e os mistérios da vida espiritual. Pode um homem ser profeta sem fazer predição. Entretanto, nos tempos de Jesus deu-se o caso de haver profetas que tiveram pressentimentos do futuro, quer por intuição, quer por providencial revelação, com o intuito de transmitirem avisos aos homens.
O próprio Jesus fez o alerta: "Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão a muitas pessoas; - e porque abundará a iniquidade, a caridade de muitos esfriará." Para as pessoas de pouco conhecimento e muito fanáticas, todo fenômeno cuja causa é desconhecida passa por sobrenatural, maravilhoso e miraculoso; uma vez encontrada a causa, reconhece-se que o fenômeno, por mais extraordinário que pareça, não é nada além da aplicação de uma lei da natureza. Assim, o círculo dos fatos sobrenaturais fica menor à medida que o da ciência se amplia. Em todos os tempos, pessoas exploraram, em proveito de suas ambições, de seus interesses e do seu anseio de dominação, certos conhecimentos que possuíam, a fim de alcançarem o prestígio de um pseudopoder sobre-humano, ou de uma pretendida missão divina. São esses os falsos cristos e falsos profetas. A difusão do esclarecimento lhes aniquila o crédito, donde resulta que o número deles diminui à proporção que os homens adquirem conhecimento. O fato de realizar o que certas pessoas consideram prodígios não constitui, pois, sinal de uma missão divina, visto que pode resultar de conhecimento cuja aquisição está ao alcance de qualquer um, ou de faculdades orgânicas especiais, que tanto o mais indigno como o mais digno são capazes de tê-las. O verdadeiro profeta se reconhece por mais sérios caracteres e exclusivamente morais.
(Francinaldo Rafael)

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