quarta-feira, 6 de maio de 2009

O homem no mundo

Um sentimento de piedade deve sempre animar o coração dos que se reúnem sob as vistas do Senhor e imploram a assistência dos bons Espíritos. Purificai, pois, os vossos corações; não consintais que neles demore qualquer pensamento mundano ou fútil. Elevai o vosso espírito àqueles por quem chamais, a fim de que, encontrando em vós as necessárias disposições, possam lançar em profusão a semente que é preciso germine em vossas almas e dê frutos de caridade e justiça.
Não julgueis, todavia, que, exortando-vos incessantemente à prece e à evocação mental, pretendamos vivais uma vida mística, que vos conserve fora das leis da sociedade onde estais condenados a viver. Não; vivei com os homens da vossa época, como devem viver os homens. Sacrificai às necessidades, mesmo às frivolidades do dia, mas sacrificai com um sentimento de pureza que as possa santificar.
Sois chamados a estar em contacto com espíritos de naturezas diferentes, de caracteres opostos: não choqueis a nenhum daqueles com quem estiverdes. Sede joviais, sede ditosos, mas seja a vossa jovialidade a que provém de uma consciência limpa, seja a vossa ventura a do herdeiro do Céu que conta os dias que faltam para entrar na posse da sua herança.
Não consiste a virtude em assumirdes severo e lúgubre aspecto, em repelirdes os
prazeres que as vossas condições humanas vos permitem. Basta reporteis todos os atos da
vossa vida ao Criador que vo-la deu; basta que, quando começardes ou acabardes uma obra,
eleveis o pensamento a esse Criador e lhe peçais, num arroubo dalma, ou a sua proteção para
que obtenhais êxito, ou a sua bênção para ela, se a concluístes. Em tudo o que fizerdes,
remontai à Fonte de todas as coisas, para que nenhuma de vossas ações deixe de ser
purificada e santificada pela lembrança de Deus.
A perfeição está toda, como disse o Cristo, na prática da caridade absoluta; mas, os
deveres da caridade alcançam todas as posições sociais, desde o menor até o maior. Nenhuma
caridade teria a praticar o homem que vivesse insulado. Unicamente no contacto com os seus
semelhantes, nas lutas mais árduas é que ele encontra ensejo de praticá-la. Aquele, pois, que
se isola priva-se voluntariamente do mais poderoso meio de aperfeiçoar-se; não tendo de
pensar senão em si, sua vida é a de um egoísta.
Não imagineis, portanto, que, para viverdes em comunicação constante conosco, para
viverdes sob as vistas do Senhor, seja preciso vos cilicieis e cubrais de cinzas. Não, não,
ainda uma vez vos dizemos. Ditosos sede, segundo as necessidades da Humanidade; mas, que
jamais na vossa felicidade entre um pensamento ou um ato que o possa ofender, ou fazer se
vele o semblante dos que vos amam e dirigem. Deus é amor, e aqueles que amam santamente
ele os abençoa.

Um Espírito Protetor. (Bordéus, 1863.)

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